Dill Rhodrigues 

-  P s i c o t e r a p e u t a  -

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O que acontece no cérebro em casos de depressão?
 

 

 

Desequilíbrio químico
 

O cérebro é formado por células, os neurônios, que se comunicam por meio de substâncias chamadas neurotransmissores. Quando uma pessoa está em depressão, alguns neurotransmissores, por algum motivo, não circulam como deveriam. As causas são diversas, como predisposição genética, personalidade melancólica, vivência de situações desgastantes ou traumáticas, abuso de drogas ou álcool e algumas doenças cerebrais.

 

Muitas vezes a doença começa devido a algum problema externo, mas com o tempo vai se tornando física. Úlcera, enfarte e gastrite, por exemplo, são desencadeados por estresse, que pode ter origem na depressão. Seus sintomas mais comuns são desânimo, insônia, apatia, falta de apetite e de desejo sexual e indisposição até mesmo para coisas simples, como tomar banho, ver televisão ou ler um jornal. (Algumas pessoas, ao contrário, têm aumento de sono e de apetite.) Durante a crise, o paciente tem pensamentos pessimistas e obsessivos e perde o interesse por coisas que gostava de fazer ou por pessoas com as quais gostava de conviver. É difícil concentrar-se em uma leitura ou guardar na memória o que lê.

 

Às vezes aparecem ansiedade com sudorese, palpitações e tremores, verdadeiros ataques de pânico. Alguns casos de depressão se caracterizam por dores vagas e difusas pelo corpo ou na cabeça. O intestino pode ficar preso, a boca amarga, a pele envelhecida, os cabelos e as unhas fracos e sem brilho.

O tratamento pode ser feito de duas maneiras, isoladas ou combinadas. A primeira delas é a psicoterapia, que irá tratar das causas. A segunda são os antidepressivos, remédios que corrigem o metabolismo dos neurotransmissores, normalizando a atividade cerebral. Ao contrário do que muitos leigos e alguns terapeutas ainda acham, se a depressão apresenta certo grau de intensidade a medicação tem prioridade absoluta com relação à terapia.

 

 

O EFEITO DEPRESSIVO NO ORGANISMO 

 

Embora seja desencadeada por um desequilíbrio na atividade química do cérebro, a depressão normalmente tem causas externas e pode afetar todo o organismo. Entenda o caminho da doença:

 

1- Quando o cérebro detecta uma situação estressante ou angustiante, estruturas como o hipotálamo, a amídala e a glândula pituitária ficam em alerta. Elas trocam informações entre si e enviam sinalizadores químicos e impulsos nervosos que preparam o corpo para os momentos difíceis.

 

2- As glândulas supra-renais reagem ao alerta liberando adrenalina, o que faz o coração bater mais rápido e os pulmões trabalharem mais para oxigenar o corpo. As células nervosas liberam noradrenalina, que tensiona os músculos e aguça os sentidos. A digestão fica prejudicada, o que pode provocar enjôos.

 

3- Depois que a influência externa passa, os níveis hormonais caem, mas se as crises forem muito freqüentes tais substâncias podem danificar as artérias. Casos crônicos levam a um sistema imunológico enfraquecido, perda de massa óssea, supressão da capacidade reprodutiva e problemas de memória.

 

FonteRubens Pitliuk, coordenador da equipe de Psiquiatria do Hospital Albert Einstein

 

 

Texto extraído da revista Galileu, na coluna Sem Dúvida, escrita por  Murilo Guedes Chaves, Goiânia, GO.

 

http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT545744-1716-1,00.html